história
Livros lidos em 2021

Em 2021, Murakami ainda continuou no radar das minhas leituras, mas também houve espaço para finalmente conhecer os livros de Nick Hornby, sobre os quais eu sabia de algo através de adataptações para o cinema, entre outras boas descobertas. Nesse ano também maratonei os livros e site de Austin Kleon. Mantendo a tradição, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção:

Febre de Bola
Nick Hornby
Nick Hornby é o autor de Alta Fidelidade, livro que deu origem ao filme homônimo protagonizado por John Cusack. Em Febre de Bola, o escritor faz um apanhado de relatos baseados na sua relação com o futebol, especialmente dos jogos do Arsenal que assistiu ao longo da vida. O autor destaca em vários momentos que foi através do futebol e de idas a diferentes estádios, que o seu relacionamento com o próprio pai se consolidou. Hoje menos, mas frequento estádios de futebol com e graças ao meu pai, desde o início dos anos 1990. O foco que o livro deu a essa relação entre pai e filho permeada pelo ludopédio exerceu um impacto profundo sobre mim.

Alta Fidelidade
Nick Hornby
À medida que fui avançando e me reconhecendo em "Febre de Bola", fui buscar mais informações sobre Nick Hornby e descobri que ele também era responsável por Alta Fidelidade, livro que deu origem ao filme de mesmo nome, pelo qual sou aficionado.

Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade
Austin Kleon
Entrar numa livraria nos dias de hoje possibilita facilmente perceber o impacto da mentalidade coach no mercado editorial. Títulos como "A Arte Sutil de ligar o Foda-se" e semelhantes ocupam posições de destaque nas lojas físicas. Durante um tempo, quando eu via ROUBE COMO UM ARTISTA exposto na Livraria Leitura do Natal Shopping, pensava tratar-se de mais um desses livros. Após sugestão de Cris Dias, em algum Braincast, decidi dar um chance e me surpreendi positivamente com Austin Kleon. O livro traz reflexões e ideias interessantes para quem lida com trabalhos artísticos/criativos. Gostei tanto que hoje sou um leitor assíduo do blog e da newsletter do autor, que, para mim, são dois dos lugares mais legais da Internet nos dias atuais.

Mostre seu trabalho: 10 maneiras de compartilhar sua criatividade e ser descoberto
Austin Kleon
Publicado após Roube como um artista, Mostre seu trabalho tem um título sugestivo. No livro, entre outras coisas, Austin Kleon destaca a importância de se ter uma identidade digital desvinculada das grandes redes sociais e de ser dono do seu próprio conteúdo on-line. Ele dá muito destaque para o papel que o seu blog e newsletter têm na construção e fidelização de audiência, mas também que funcionam como um laboratório público para ideias e esboços.

Siga em frente: 10 maneiras da manter a criatividade nos bons e maus momentos
Austin Kleon
Livro mais recente de Kleon, Siga em frente me chamou atenção pelas referências que lista sobre trabalho criativo/artístico. Cheguei, por exemplo, a trabalhos interessantes como O Caminho do artista, de Julia Cameron.

O caminho do artista
Julia Cameron
Se houvesse uma vertente da Terapia Cognitivo-Comportamental para artistas, Julia Cameron certamente seria uma das suas responsáveis. Em O Caminho do Artista, a escritora, que também é roteirista e professora, aponta caminhos para aqueles que estejam lidando com algum tipo de bloqueio criativo. Embora em alguns momentos o livro tenda a focar exageradamente em aspectos místicos/espirituais, Julia Cameron traz uns exercícios legais como as páginas matinais.

O sabor do arquivo
Arlete Farge
Cheguei a O Sabor do Arquivo por recomendação do algoritmo da Amazon. Arlete Farge é uma historiadora francesa e, nesse livro escreve sobre a importância dos arquivos para a pesquisa histórica, baseando-se, sobretudo em uma das suas próprias pesquisas em documentos do Século XVIII, na França. Bateu uma saudade gigante do meu tempo pesquisa na Biblioteca Nacional, em jornais e outros periódicos dos primeiros anos do Século XX.

O segredo da Dinamarca
Helen Russell
Esse chegou a mim após Márcia ficar com o meu Kindle para ler algo que estava no meu dispositivo, e eu acabar com o e-reader dela. A autora narra a experiência de morar na Dinamarca após o seu marido ser transferido para aquele país, em função do seu cargo na LEGO. Tive contato com o livro num momento do ano em que os sentimentos de isolamento e clausura resultantes da pandemia estavam bem presentes. Naquele momento, as únicas possibilidades de viagem se deram pelo cinema, séries de TV e literatura. Visitar a Dinamarca pelo ponto de vista desse casal inglês foi uma experiência bem bacana.

O Projeto Rosie
Graeme Simsion

Pessoas Normais
Sally Rooney

Sobre a escrita: a arte em memórias
Stephen King

Crônica do Pássaro de Corda
Haruki Murakami


Hábitos Atômicos
James Clear
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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2020, 2019, 2018, 2017, 2016.
Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.
Livros lidos em 2019

Esse foi mais um ano de leituras monopolizado por Haruki Murakami. Mais uma vez, mantendo a tradição por aqui, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção.

D. Pedro I (Coleção Perfis Brasileiros)
Isabel Lustosa
Da coleção "perfis brasileiros" eu já tinha lido a biografia de D. Pedro II escrita por José Murilo de Carvalho. Num momento em que muitas publicações sobre personalidades históricas tendem a focar em aspectos pitorescos dos biografados ou em outros com apelos mais populares como os detalhes dos relacionamentos do próprio D. Pedro I enfocados em "Titília e o Demonão: Cartas Inéditas De D. Pedro I À Marquesa De Santos", é reconfortante ter acesso a um texto como o de Isabel Lustosa, que alia rigor acadêmico a uma linguagem mais descompromissada e, também importante, dá contexto a certos estereótipos que o senso comum foi erigindo sobre o filho de D. João VI e Carlota Joaquina.

Romancista como vocação
Haruki Murakami
Em "Do que eu falo quando falo quando falo de corrida" eu já tinha apreendido aspectos importantes sobre o método de trabalho de Murakami, sobretudo a relação que ele estabelece entre a escrita e a prática da corrida. Mas em "Romancista como vocação", o autor japonês vai além ao apresentar desde o processo em que se reconheceu como escritor, até detalhes como o fato de no início da carreira, ao buscar um estilo de escrita mais objetivo, ter escrito alguns textos originalmente em inglês - língua para a qual o seu vocabulário era obviamente mais reduzido - e só então traduzi-los para o japonês.

O grande fora da lei: a origem do GTA
David Kushner
A despeito do título, que sugere o foco no GTA enquanto fenômeno, o livro de David Kushner acaba apresentando um ensaio bastante competente que analisa a ascensão do videogame como mídia, ao longo da década de 1990, e a reação de setores mais conservadores da sociedade estadunidense ao próprio GTA e a outros jogos semelhantes. Achei muito bem fundamentada a contextualização do cenário em que os videogames foram alçados à condição de bode expiatório para questões complexas daquele país como a violência resultante do acesso descomplicado a armas de fogo, e sobretudo as possíveis consequências para crianças e adolescentes do uso indiscriminado daquela forma de entretenimento.

O elefante desaparece
Haruki Murakami

O incolor Tsukuru Tazaki e os seus anos de peregrinação
Haruki Murakami
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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2018, 2017, 2016.
Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.
CONSTATAÇÕES DOS ÚLTIMOS DIAS
• A Praia de Pipa em época de feriados ou em qualquer ocasião que atraia muita gente de Natal é um lugar insuportável.
Quando recebi a notícia de que o Seu Zé iria se apresentar lá, fiquei feliz e puto ao mesmo tempo.
Sinceramente, não vejo a menor graça em ficar a noite toda em pé em frente a um bar, rodeado de pessoas extremamente frescas em seus grupinhos isolados. Não vejo diferença alguma da Praia de Pirangi durante o veraneio.
Agora então, que não é mais novidade para ninguém que o tráfico de drogas pesadas rola solto por lá, prefiro tomar banho na Ponta Negra dos italianos.
• Minha sobrinha, Maria Eduarda, é o bebê mais inteligente que eu já vi.
Ela está com 1 ano e 6 meses e já sabe fazer coisas que eu só devo ter aprendido aos 10 anos. Geralmente, quando eu chego do estágio ela está na minha casa. Ontem ela estava brincando com aquelas pecinhas de encaixe. Só precisei fazer as combinações uma vez para que ela aprendesse. Definitivamente ela não puxou a mim.
• A universidade vai deixar saudades.
Daqui a mais ou menos um ano eu devo estar me formando. Minha relação com o curso foi marcada por altos e baixos. Até agora tive uma dificuldade enorme para levar os estudos acadêmicos a sério. Tanto o fato de eu não ter certeza se quero lecionar ou trabalhar como pesquisador, quanto a minha ligação com a música, contribuem para isso. O curso de História da UFRN é muito bom, o departamento tem professores excelentes e eu sou apaixonado pela coisa. Mas, nesses quase quatro anos, eu não consegui ter uma seqüência legal de estudo. Empolguei-me e desempolguei muito fácil, como acontece com a maioria das coisas que me proponho a fazer.
No geral, acho que sou um cara que tem boas idéias, idéias originais. Mas sou extremamente indisciplinado. Indisciplinado ao ponto de preferir fazer meus planos e trabalhos na base do individualismo para não correr o risco de prejudicar terceiros com a minha falta de compromisso.
Mas mesmo assim, decidi dar tudo de mim para terminar o meu curso da maneira mais honrosa possível. Pela primeira vez vou deixar para trás aquela conversa que todo universitário tem consigo mesmo: “no próximo semestre eu vou melhorar, vou me esforçar mais”. Não posso mais me dar esse luxo.
Quando tudo terminar, vai ser barra ter que abandonar o setor II daquela universidade. Vamos ver no que é que vai dar essa história.
• Pela segunda vez na vida, rompi a barreira dos 60 kg: estou pesando 61.
Acho que a minha altura é algo em torno de 1m72. Segundo tabelas específicas, para uma relação harmoniosa entre o meu peso e a minha envergadura, eu deveria ter no mínimo 67 kg. Até pouco tempo atrás eu só havia rompido a barreira dos 60 kg uma vez. Dessa vez vou tentar manter esses gramas excedentes, já que almejar chegar aos 67 não passaria de uma utopia.
• Banana com leite condensado, apesar de constituir-se numa mistura que inspira cuidados, é uma das melhores sobremesas que existem.
Estou completamente viciado nessa mistura. Quem me conhece bem – e nem precisa de tanto – sabe que o meu ponto forte não é o apetite. Mas ultimamente, essa comida simples tem me proporcionado uns gramas a mais (talvez aqui esteja a explicação para o incrível acréscimo de massa que sofri).
Geralmente tenho ingerido a gororoba antes e depois do almoço, antes e depois do jantar e antes de dormir. Não é de se estranhar que o meu intestino tenha vivido um paradoxo sem precedentes. Ora, é sabido que qualquer derivado do leite, quando ingerido em excesso, provoca um amolecimento ou liquefação das nossas fezes. Já a banana, quando ingerida descontroladamente, tende a inspirar um endurecimento em nossos dejetos.
Nesse contexto, e desde que descobri os prazeres dessa original sobremesa, não ouso mais olhar para dentro do vaso ao término do meu processo de digestão.