Livros lidos em 2022

Mais uma vez Haruki Murakami integrou a minha lista de lidos. 2022 foi o ano em que descobri Alberto Mangel e a sua escrita envolvente sobre livros e literatura. Também enveredei por algumas leituras de obras de críticos de música como Luiz Felipe Carneiro e Ricardo Alexandre, descobri a obra do chileno Alejandro Zambra e li o meu primeiro Philip Roth, além do primeiro não-ficção de Paul Auster.

Mantendo a tradição, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção:

A Marca Humana
Philip Roth

Minha primeira experiência com Philip Roth. Lançado em 2000, o livro do autor parecia antecipar reflexões sobre o que hoje a gente chama de cultura de cancelamento e colorismo. Outro aspecto latente em toda a obra é a questão das identidades fragmentadas, problematizada na trajetória do protagonista Coleman Silk.

A Invenção da Solidão
Paul Auster

Aqui Paul Auster reflete sobre a sua relação com o pai ao longo dos tempos, logo após a morte deste e ao se ver precisando lidar com as lembranças materiais e memórias afetivas que surgiam à medida que explorava o apartamento do pai, agora desocupado.

Encaixotando minha biblioteca
Alberto Manguel

Conheci esse livro através de indicação na newsletter de Gaía Passarelli. Na obra, Alberto Manguel faz uma série de reflexões sobre livros, literatura e crítica literária, enquanto tinha que lidar com o encaixotamento da sua volumosa biblioteca, ao se ver na situação de precisar se mudar de uma ampla casa no interior da França, para Nova York.

Com Borges
Alberto Manguel

Borges perdeu a visão aos 55 anos, em consequência de uma condição genética. Em razão disso, passou a só ter acesso ao conteúdo de livros através de amigos com quem contava como leitores. Alberto Manguel foi um deles e esse pequeno livro é um delicioso relato do período em que Manguel conviveu com o autor de O Aleph.

Four Thousand Weeks: Time Management for Mortals
Oliver Burkeman

Há pelo menos 10 anos venho me interessando muito sobre discussões a respeito de produtividade e o seu entorno, de aplicativos para gerenciamento de tarefas a abordagens como o GTD. Após um aumento considerável em meus níveis de ansiedade, problematizado em sessões de terapia e durante a leitura de Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, passei a ter um entendimento mais cético em relação a essa busca por produtividade. O livro de Oliver Burkeman traz reflexões inspiradoras e convincentes sobre o tema.

Lado C: a trajetória musical de Caetano Veloso até a reinvenção com a Banda Cê
Luiz Felipe Carneiro e Tito Guedes

No piloto do excelente podcast Discoteca Básica, Ricardo Alexandre sugere alguns trabalhos de jornalismo musical a se seguir. Dentre essas sugestões está o canal Alta Fidelidade, no Youtube, de Luiz Felipe Carneiro, autor do livro.

A obra foca no período em que Caetano trabalhou com a bandaCê, no Cê, Zie & Zie e Abraçaço, mas também aborda a experiência do compositor com outras bandas como a Black Rio e a Outra Banda da Terra.

Em relação à trilogia lançada entre 2006 e 2012, fica a constatação da minha caretice e ignorância no momento em que ouvi os dois primeiros discos. Ouvi bem pouco o Zie & Zie e gostei de imediato dos outros dois, apesar de ter recebido com estranheza a crueza e minimalismo dos arranjos de Cê. À época eu interpretava aquela proposta estética mais como limitação dos músicos que acompanhavam Caetano, do que uma escolha intencional e calculada. O cuidado que o livro teve em apresentar as trajetórias individuais dos integrantes da bandaCê trouxeram um contexto que me permitiu compreender melhor aqueles trabalhos.

Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar: 50 causos e memórias do rock brasileiro
Ricardo Alexandre

Livro delicioso de Ricardo Alexandre, do já mencionado Discoteca Básica. Aqui o autor faz um relato bastante pessoal da sua trajetória enquanto crítico musical de veículos como a Bizz e Estadão e de como a sua própria carreira acompanhou as flutuações da indústria fonográfica entre o começo dos anos 1990 e o final da primeira década dos anos 2000. Também vale por várias histórias de bastidores de bandas como Skank, O Rappa, Los Hermanos, Pato Fu, Raimundos e várias outras.

Caçando Carneiros
Haruki Murakami

Após o anoitecer
Haruki Murakami

 

Falso Espelho
Jia Tolentino

Cidade Aberta
Teju Cole

O Efeito Rosie
Grame Simsion

Bonsai
Alejandro Zambra

A Vida Privada das Árvores
Alejandro Zambra

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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2021, 2020, 2019, 2018, 2017, 2016.

Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.


Filmes vistos em 2022

Montagem automática gerada pelo Letterboxd com os pôsteres de todos os filmes que assisti em 2022

Desde 2016 passei a registrar os filmes que assisto. Foi quando comecei a utilizar o Letterboxd, uma rede social/plataforma voltada para cinema. Além do fator social, de poder acompanhar o que as pessoas que você segue têm assistido e que impressões têm postado, o Letterboxd tem um sistema de estatísticas fantástico que gera dados a partir das películas que você registra por lá.

No meu "year in review" de 2022, a plataforma me avisa que assisti 50 filmes ao todo.

Foi um ano em que me dediquei à filmografia de Hyusuke Hamaguchi, do qual assisti os excelentes Asako I & II, Roda da Fortuna e Drive My Car, este último baseado no excelente e homônimo conto de Haruki Murakami, que eu já havia lido.

Meio que por acaso, explorando o acervo do HBO Max, acabei chegando na já clássica trilogia de Richard Linklater, composta por Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite. Fazia tempo que eu não me ligava a uma sequência de filmes como o fiz com aqueles protagonizados por Julie Delpy e Ethan Hawke. Até então, Linklater já tinha me marcado com Boyhood, filme que me impactou bastante à época em que foi lançado.

Seguem abaixo algumas estatísticas geradas pelo Letterboxd para os filmes que assisti ao longo do ano.

Resumo 2022
Distribuição anual e semanal de filmes assistidos
Primeiro e último filmes assistidos em 2022
Filmes assistidos por país
Gêneros, países e idiomas
Diretores mais assistidos em 2022
Atores e atrizes mais assistidos em 2022

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Desde 2016 venho reunindo aqui no blog as estatísticas que o Letterboxd gera a cada ano. Veja como foi nos anos anteriores: 202120202019201820172016.

Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.


Mais um Murakami para a conta

Acabo de ler O incolor Tsukuru Tazaki e os seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami e mais uma vez uma obra do escritor japonês me deixa em estado reflexivo. Pelos registros que mantenho no meu Goodreads, esse é o sétimo livro que leio do autor. Antes, passei por Do que eu falo quando eu falo de corrida, 1Q84, Kafka à Beira Mar, Norwegian Wood, O elefante desaparece, e Romancista como vocação.

Algumas temáticas recorrentes nos títulos que eu já havia lido reparecem nesse "Incolor Tsukuru", mas não chegam a desabonar a obra para mim. Muitas referências a comida, exercícios físicos e música, muita música. Mais uma vez a música assume um papel central no texto de Murakami, como um personagem que ajuda a dar sentido à narrativa. De alguma forma, a maneira como o japonês se utiliza da música me faz lembrar alguns filmes da Nouvelle Vague francesa, em especial Um Homem, Uma Mulher, em que Claude Lelouch explora execuções musicais de uma forma que me tocou bastante.

Pela primeira vez, senti algum incômodo com o estilo de narrativa do autor. Não sei se deixei passar batido na leituras anteriores, ou se é realmente uma questão específica do livro que acabei de ler, mas percebi uma adjetivação exagerada nas descrições de cenários e personagens, recurso que, na minha opinião, tolhe do leitor a possibilidade de concluir por si só alguns aspectos da narrativa, bem como de criar seus próprios julgamentos sobre características de personagens.

Mas, sem dúvidas, um aspecto que sempre me chama a atenção nos escritos desse romancista nipônico, é o viés de disciplina que sempre emerge de alguns de seus personagens. A natação quase sagrada de Tsukuru, a dedicação de Preta no trato com a cerâmica. Sempre que me deparo com esse elemento tão ressaltado da cultura oriental, tenho a vontade de trabalhar um pouco mais a disciplina na minha rotina. Seja em busca de uma alimentação mais saudável ou de uma rotina de atividades físicas mais regulares, seja na organização da minha vidaprofissional.

Mais uma vez, os personagens de Haruki Murakami trazem pra mim esse insigth da disciplina.

Finalizo esse texto na indecisão sobre que livro começarei a ler na sequência. Estavam nos meus planos iniciar a trilogia biográfica de Getúlio Vargas, concluir O fim do homem soviético, que é gigante, mas já avancei para além da metade, mas devo começar outro ainda não lido de Murakami.

Enquanto isso, vou aqui no Irachai do Midway pegar alguns sushis e sashimis para o almoço.


Kafka à beira-mar

Hoje terminei de ler Hoje terminei de ler "Kafka à Beira Mar", de Haruki Murakami. A tendinite no punho me impede de escrever mais sobre as minhas impressões, mas percebi algumas repetições de motivos que apareceram em 1Q84. Alguns personagens preocupados com o condicionamento físico, outros em cativeiros em apartamentos.

Não me cativou tanto quanto o primeiro que li do autor japonês, mas entreteve.